Por Marina Colasanti: “Às seis da tarde”

18 set

Às seis da tarde

as mulheres choravam

no banheiro.

Não choravam por isso

ou por aquilo

choravam porque o pranto subia

garganta acima

mesmo se os filhos cresciam

com boa saúde

se havia comida no fogo

e se o marido lhes dava

do bom e do melhor

choravam porque no céu

além do basculante

o dia se punha

porque uma ânsia

uma dor

uma gastura

era só o que sobrava

dos seus sonhos.

Agora

às seis da tarde

as mulheres regressam do trabalho

o dia se põe

os filhos crescem

o fogo espera

e elas não podem

não querem

chorar na condução.

Obs.: Estava fazendo tarefa de português e esse poema apareceu em um dos exercícios. Eu fiquei apaixonada e resolvi compartilhar. Espero que gostem tanto quanto eu :’) Foi retirado do livro Gargantas abertas.

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